terça-feira, 15 de junho de 2010

60 metros: o compacto futebol moderno

O resumo é do jogo da Costa do Marfim e Portugal. Mas, poderia ser de qualquer outro desta copa, exceção feita à Alemanha. Sven-Goran Eriksson colocou a Costa do Marfim para jogar atrás da linha da bola, diminuindo o espaço dos adversários. Do primeiro atacante ao último zagueiro o time se fecha em 60 metros de campo. Lembrando que este é o primeiro jogo oficial de Eriksson com técnico dos Elefantes.


O comentarista da Globo (o magistral ex-lateral esquerdo do Flamengo e da Seleção) Júnior precisou de 5 minutos para ver este tipo de jogo. Mas, Costa do Marfim apenas fez de forma mais nítida o óbvio desta Copa ou do futebol moderno. A compactação é a palavra predileta dos “professores”.


Nesta forma de jogar os atacantes dão o primeiro combate na tentativa de roubar a bola. Os craques apenas “cercam”. O meio de campo é a síntese da nova forma de jogar. Privilegiam-se os marcadores, se tiverem boa saída melhor ainda. E a zaga fica o papel final de destruição das jogadas.

No futebol moderno o que importa é ser campeão. Não importando o como. É a força se sobressaindo a técnica. Os “fantasistas” como os italianos chamam os jogares de extrema técnica e improviso – como Ronaldinho Gaúcho ou Messi – estão em falta.

Joga-se com três atacantes mais no intuito de ter jogadas laterais do que para abrir o jogo. Time de formação com três atacantes não permitem que os laterais subam demais. O 4-3-3 hoje é mais uma forma de se defender, com mais jogadores do que ser forte ofensivamente.

Isso tirando os medonhos esquemas também modernos como 3-6-1; 3-5-2. Que no jogo se torna o verdadeiro 7-3. Sete defendem e três são imbuídos de atacar. Como se foi visto hoje no jogo Costa do Marfim e Portugal.

Cristiano Ronaldo, Deco, Raúl Meireles quase não tocaram na bola. Devido à forte marcação Marfinense. Eboué, Kolo Touré, Yaya Touré, Zokora e Dindane fizeram um jogo impecável. E o time de Eriksson não venceu por errar o último passe e por que Gervinho jogou sozinho no ataque devido ao baixo rendimento de Kalou. Drogba entrou no segundo tempo e mostrou que o jogo dos Elefantes no ataque é pensado para ele. O que faz da sua falta um grande problema. E os laterais quando aprenderem a cruzar também será muito útil.

Os portugueses concentram seu jogo no toque de bola no meio-campo. Com a marcação marfinense encaixado, os meio-campistas portugueses nada puderam fazer. Deco foi anulado por Yaya Touré. E Cristiano Ronaldo mostrou que não é o “fantasista” que tentam vender. Sumiu do jogo, a salvo um chute que foi na trave (bem no começo do jogo) apenas reclamou do juiz.

O CR7 não é protagonista e nem é craque. Se não tiver alguém que faça a bola rolar no meio de campo não conte com ele. Na campanha vencedora do Manchester United em 2008 Rooney foi quem garantiu nos jogos difíceis. Mas Rooney joga para o time. Sem firulas e pensando no gol somente. Já a estrela portuguesa quer aparecer e consegue fazendo firulas na lateral de campo. No jogo decisivo some. E não cria espaço como um verdadeiro craque deve fazer. Cristiano Ronaldo é uma mistura de Denílson com Beckham e nem chega às travas das chuteiras de Messi ou do Gaúcho, por exemplo.

60 metros deixam o jogo compacto e sem criatividade. 60 metros é pouco no campo que mede 110. 60 metros é o espaço dos medíocres no futebol. Saudade daqueles que jogavam no campo todo. Por isso o jogo foi zero a zero. Drogba fez falta, culpa de Marco Túlio Tanaka.


O palpiteiro:

Errei feio nos resultados até agora, acreditava que Drogba iria começar jogando e resolveria o jogo. Foi 0 a 0. E no maravilhoso jogo Eslováquia contra Nova Zelândia foi 1 a 1. Empate da Nova Zelândia nos acréscimo. Vergonha para a Eslováquia que descende de uma escola de futebol técnico e vistoso. Perderam a chance de terem uma vitória na Copa. Resta aos dois agora não serem goleados por Itália e Paraguai.

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