terça-feira, 15 de junho de 2010

1º JOGO: BRASIL 2 X COREIA DO NORTE 1


Com futebol burocrático vence, mas, não convence
Por Rafael Barreto

A seleção brasileira é reconhecida mundialmente como a defensora do futebol bonito. O futebol moleque, driblador. Com Dunga como técnico a seleção brasileira virou mais uma de futebol burocrático. Gilberto Silva e Felipe Melo não protegem a zaga e não dão boa saída para o ataque. Elano apenas toca a bola, até que bem, mais apenas toca a bola. Hoje fez um gol e só.

Com eles em campo o futebol da seleção de Dunga fica lento e fraco como mostrou hoje contra os esforçados (e apenas isso) norte-coreanos. Com Kaká ainda em recuperação o meio de campo fica sem criatividade. E olha que Kaká joga apenas verticalizando com velocidade. Robinho na seleção tenta convencer o mundo que pode ser um jogador top. Por isso ataca e articula as jogadas. Muito esforço e firula.

A Coreia do Norte tem como adversários Nova Zelândia, Argélia, Austrália na suntuosa luta pelo posto de pior time da Copa. Uma seleção pentacampeã mundial não pode vencer uma seleção assim no sufoco. Passar 45 minutos sem fazer um gol.

Mesmo estando machucado, ou não como diz, Kaká deveria fazer mais do que fez. Um jogador considerado um dos 10 melhores do mundo não pode ficar apenas na correria. Robinho tentou... Mas, nada fez incisivo. Passar a perna em cima da bola não é lance de efeito. Pedalar é o que Marc Overmars fazia. Este o que melhor pedalava no mundo, isso bem antes de Robinho aparecer. E Robinho pedalar de verdade é o que você fez em 2002 contra Rogério do Corinthians.

Luis Fabiano é um atacante mediano. A maioria dos times e principalmente as seleções este tipo de jogador está em falta. Veja o número de atacantes naturalizados para se notar isso. E o “fabuloso” esta na seleção apenas por isso. E por que o Adriano, Fred não estão na melhor forma física ou psicológica. E pelo pragmatismo de Dunga.

Michel Bastos até que tentou jogar. Sozinho no lado esquerdo cansou no segundo tempo. No lado direito Elano ajuda Maicon nas suas subidas. A zaga é forte e conta dom Julio Cesar, o atual melhor goleiro do mundo. Só que dormiram e tomaram um gol inesperado e indesculpável.

Se a Costa do Marfim conseguir marca tão bem como o hoje, no jogo contra Portugal, o Brasil não vencerá a Costa do Marfim. Ainda mais se Drogba jogar desde o começo do jogo.

Acredito que o Brasil se classificará. Em segundo e pegará a Espanha nas oitavas. Então já se sabe... A seleção brasileira não verá o mês de julho na África.
Daniel Alves, Ramires e Nilmar deveriam ser titulares em minha opinião. Com eles as opções de jogo seriam infinitamente melhores. Sem precisar trocar os jogadores. É melhor ser como a Argentina e Espanha com um leque maior de jogadores de ataque com defesa fraca do que ter seis volantes no time e Grafite como opção ofensiva.

O palpiteiro:

Amanhã é dia de ver dois espetaculares jogadores em campo: Iniesta e Xavi. E com eles a Espanha faz 2 a 0 na sólida defesa suíça. No outro jogo “El Loco” Bielsa fará o Chile jogar bonito e vencerá por 3 a 0, e um dos gols será do “estupendo” Fierro.

60 metros: o compacto futebol moderno

O resumo é do jogo da Costa do Marfim e Portugal. Mas, poderia ser de qualquer outro desta copa, exceção feita à Alemanha. Sven-Goran Eriksson colocou a Costa do Marfim para jogar atrás da linha da bola, diminuindo o espaço dos adversários. Do primeiro atacante ao último zagueiro o time se fecha em 60 metros de campo. Lembrando que este é o primeiro jogo oficial de Eriksson com técnico dos Elefantes.


O comentarista da Globo (o magistral ex-lateral esquerdo do Flamengo e da Seleção) Júnior precisou de 5 minutos para ver este tipo de jogo. Mas, Costa do Marfim apenas fez de forma mais nítida o óbvio desta Copa ou do futebol moderno. A compactação é a palavra predileta dos “professores”.


Nesta forma de jogar os atacantes dão o primeiro combate na tentativa de roubar a bola. Os craques apenas “cercam”. O meio de campo é a síntese da nova forma de jogar. Privilegiam-se os marcadores, se tiverem boa saída melhor ainda. E a zaga fica o papel final de destruição das jogadas.

No futebol moderno o que importa é ser campeão. Não importando o como. É a força se sobressaindo a técnica. Os “fantasistas” como os italianos chamam os jogares de extrema técnica e improviso – como Ronaldinho Gaúcho ou Messi – estão em falta.

Joga-se com três atacantes mais no intuito de ter jogadas laterais do que para abrir o jogo. Time de formação com três atacantes não permitem que os laterais subam demais. O 4-3-3 hoje é mais uma forma de se defender, com mais jogadores do que ser forte ofensivamente.

Isso tirando os medonhos esquemas também modernos como 3-6-1; 3-5-2. Que no jogo se torna o verdadeiro 7-3. Sete defendem e três são imbuídos de atacar. Como se foi visto hoje no jogo Costa do Marfim e Portugal.

Cristiano Ronaldo, Deco, Raúl Meireles quase não tocaram na bola. Devido à forte marcação Marfinense. Eboué, Kolo Touré, Yaya Touré, Zokora e Dindane fizeram um jogo impecável. E o time de Eriksson não venceu por errar o último passe e por que Gervinho jogou sozinho no ataque devido ao baixo rendimento de Kalou. Drogba entrou no segundo tempo e mostrou que o jogo dos Elefantes no ataque é pensado para ele. O que faz da sua falta um grande problema. E os laterais quando aprenderem a cruzar também será muito útil.

Os portugueses concentram seu jogo no toque de bola no meio-campo. Com a marcação marfinense encaixado, os meio-campistas portugueses nada puderam fazer. Deco foi anulado por Yaya Touré. E Cristiano Ronaldo mostrou que não é o “fantasista” que tentam vender. Sumiu do jogo, a salvo um chute que foi na trave (bem no começo do jogo) apenas reclamou do juiz.

O CR7 não é protagonista e nem é craque. Se não tiver alguém que faça a bola rolar no meio de campo não conte com ele. Na campanha vencedora do Manchester United em 2008 Rooney foi quem garantiu nos jogos difíceis. Mas Rooney joga para o time. Sem firulas e pensando no gol somente. Já a estrela portuguesa quer aparecer e consegue fazendo firulas na lateral de campo. No jogo decisivo some. E não cria espaço como um verdadeiro craque deve fazer. Cristiano Ronaldo é uma mistura de Denílson com Beckham e nem chega às travas das chuteiras de Messi ou do Gaúcho, por exemplo.

60 metros deixam o jogo compacto e sem criatividade. 60 metros é pouco no campo que mede 110. 60 metros é o espaço dos medíocres no futebol. Saudade daqueles que jogavam no campo todo. Por isso o jogo foi zero a zero. Drogba fez falta, culpa de Marco Túlio Tanaka.


O palpiteiro:

Errei feio nos resultados até agora, acreditava que Drogba iria começar jogando e resolveria o jogo. Foi 0 a 0. E no maravilhoso jogo Eslováquia contra Nova Zelândia foi 1 a 1. Empate da Nova Zelândia nos acréscimo. Vergonha para a Eslováquia que descende de uma escola de futebol técnico e vistoso. Perderam a chance de terem uma vitória na Copa. Resta aos dois agora não serem goleados por Itália e Paraguai.